Prostatite

A próstata é uma glândula com cerca de 3 cm a 4 cm de diâmetro localizada no aparelho reprodutor masculino, mais especificamente embaixo da bexiga e atrás do reto, responsável, principalmente, por produzir parte do líquido ejaculatório, denominado fluído prostático, que se mistura aos líquidos produzidos pelos testículos, vesículas seminais e outras glândulas menores para formar o sêmen.

A glândula tem o formato de uma noz e envolve a parte inicial da uretra, canal que faz a eliminação da urina através do pênis.

A prostatite é um processo inflamatório que afeta, principalmente, a próstata de homens adultos, podendo ser infecciosa – mais rara – ou não.

Há diversos tipos de prostatite, portanto os sintomas, as causas e as sequelas são também diversos, e o médico precisa fazer uma avaliação completa para determinar o tratamento correto.

Segundo os National Institutes of Health (EUA), as prostatites são classificadas da seguinte forma:

  • Tipo I – Prostatite bacteriana aguda;
  • Tipo II – Prostatite bacteriana crônica;
  • Tipo IIIA – Prostatite crônica inflamatória/ síndrome de dor pélvica (CP/CPPS);
  • Tipo IIIB – Prostatite crônica não inflamatória/ síndrome de dor pélvica;
  • Tipo IV – Prostatite inflamatória assintomática/ síndrome de dor pélvica.

Para que os pacientes passem por uma avaliação detalhada de sua doença, as secreções prostáticas devem ser coletadas, depois de massagem prostática, e analisadas, entretanto, na prática clínica, esse exame não é solicitado com frequência, apesar de sua importância.

Prostatite aguda

Características

As principais bactérias que causam a prostatite aguda são as mesmas que causam a infecção urinária, como a Escherichia coli. A prostatite aguda se caracteriza por um quadro inflamatório decorrente de uma infecção bacteriana na próstata por bactérias que estão na uretra ou bexiga. Tem início repentino e manifesta sintomas gerais e do sistema urinário bastante marcantes.

Assim, os fatores de risco mais observados são:

  • Infecção urinária ou pelo HIV;
  • Traumas locais por uso excessivo de bicicletas;
  • Uretrites por DST.

Sintomas da prostatite aguda

A prostatite aguda não se restringe a determinadas faixas etárias, e os seus principais sintomas são:

  • Dificuldade de urinar;
  • Dor ao urinar;
  • Urina turva;
  • Dor na região pélvica;
  • Febre;
  • Calafrios;
  • Mal-estar;
  • Dores musculares e nas articulações.

Em muitos casos, o paciente é hospitalizado por causa da intensidade dos sintomas.

Diagnóstico da prostatite aguda

O diagnóstico da prostatite aguda é feito com base na avaliação dos sintomas clínicos e no exame de toque retal.

Já a urocultura tem a finalidade de identificar a bactéria causadora da infecção, e o exame de urina tende a detectar piócitos na urina, bem como sangramento microscópico.

O aumento da dosagem do antígeno prostático específico (PSA), medido nos exames de sangue, evidencia um quadro de inflamação na próstata. Nesses mesmos exames, os marcadores de atividade inflamatória, como PCR e VHS, também estão elevados em caso de prostatite aguda.

Qualquer bactéria presente no trato urinário tem potencial para causar uma prostatite bacteriana aguda.

Tratamento da prostatite aguda

Por ser uma infecção bacteriana, o tratamento da prostatite aguda é feito com a prescrição de antibióticos por um período aproximado de um mês.

As bactérias causadoras da prostatite, de modo geral, são as que também causam a infecção urinária, portanto os medicamentos antibióticos são os mesmos: a maioria é à base de quinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina e norfloxacina). Os resultados da urocultura geralmente demoram de 48h a 72h para serem concluídos, portanto os antibióticos podem ser substituídos posteriormente.

Os sintomas se reduzem após 48h de tratamento com antibióticos, e, após sete dias, a urocultura é negativa, não mais indicando a presença de bactérias na urina.

Como é um processo bastante dolorido, os médicos costumam prescrever analgésicos comuns e anti-inflamatórios.

Prostatite bacteriana crônica

A prostatite bacteriana crônica é uma das possíveis complicações, quando a inflamação aguda não é tratada adequadamente.

No entanto, os sintomas são mais leves, assim como o quadro em geral. As reclamações mais presentes são:

  • Desconforto no momento de urinar;
  • Aumento na frequência miccional;
  • Mal-estar;
  • Febre baixa em alguns casos.

Os sintomas da cistite se confundem com os da prostatite crônica, portanto ambas as doenças exigem um diagnóstico mais detalhado para não haver equívocos.

De forma semelhante à prostatite aguda, o diagnóstico da prostatite crônica é realizado com base na pesquisa da história clínica do paciente e no exame de toque retal.

No entanto, nesse caso, durante o exame de toque retal, o médico já pode realizar a massagem da próstata, necessária para estimular a secreção de líquidos a serem encaminhados para análise laboratorial.

Esse procedimento difere da aguda porque a massagem prostática não pode ser realizada na prostatite aguda, em virtude do alto risco de bactérias irem para o sangue.

A urocultura realizada depois da massagem é igualmente uma opção para se chegar ao diagnóstico da prostatite crônica.

O médico pode achar pertinente, devido às características da doença, solicitar testes que verifiquem a presença de infecção por clamídia.

O tempo de tratamento da prostatite crônica é similar ao da aguda, entre quatro e seis semanas, no entanto os pacientes com infecção recorrente podem levar mais tempo para se curar.

Prostatite não bacteriana crônica ou Síndrome da dor pélvica crônica

A expressão “síndrome da dor pélvica crônica” é mais adequada que “prostatite não bacteriana crônica”, pois é comum a próstata não ser afetada no quadro, embora os sintomas sugiram isso.

A síndrome da dor pélvica crônica apresenta sintomas urológicos e desconforto na região pélvica.

De modo geral, o diagnóstico de síndrome da dor pélvica crônica é feito por exclusão. Assim, apenas depois que todas as outras possibilidades tiverem sido descartadas é que pode-se chegar ao diagnóstico da síndrome.

Os sintomas da síndrome da dor pélvica crônica são os mesmos da prostatite crônica, com o acréscimo de dor pélvica, desconforto anal e incômodo nos testículos.

Ainda não há tratamento específico para a síndrome da dor pélvica crônica. Quando não se consegue descartar uma prostatite bacteriana crônica, uma opção é a terapia com antibióticos por cerca de quatro semanas.

 

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